Lastro em Campo, SESC Consolação

Situações de leitura é uma instalação em forma de oferenda pública:  textos impressos em serigrafia são colocados sobre mesas e comidas são servidas. O trabalho já foi realizado em diversas ocasiões, principalmente em espaços públicos, procurando dialogar ou revelar tensões destas localidades (feiras livres, festividades populares, rua, praça, eventos de arte). Aqui, o impresso Situações de leitura trabalha os altares de oferenda e festas do Dia de los muertos – celebração popular mexicana. A saber, o ritual de Santa Muerte também representa o sincretismo mexicano entre a igreja católica e os rituais pré-colombianos. Para essa exposição, foram selecionados poemas do grupo infrarrealista mexicano, praticamente inéditos no Brasil – e alguns desses poemas foram traduzidos. A morte aparece nesses poemas, porém não se tratam de poemas sobre a morte. São poemas para serem lidos enquanto se come o pan.

Poemas de Mario Santiago Papasquiaro, Juan Esteban Harrington, Pedro Damián Bautista, Jorge Hernández Piel Divina, Ramón Méndez Estrada, Bruno Montané Krebs, Cuauhtémoc Méndez Estrada, María Guadalupe Ochoa Ávila
Traduções e projeto editorial Thais Medeiros
Pan de muerto que La Mano amassou por Kadija de Paula
Design do impresso Icaro dos Santos
11/05 – 30/07
R. Dr. Vila Nova, 245 – Vila Buarque, São Paulo

 

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Lançamento do livro duas luas em um céu vermelho,  Van Holanda.

VII

cor de mercúrio.

se você fosse uma pedra,

teria cor de mercúrio.

e completaria três rotações

em torno de seu eixo a cada duas órbitas.

e a sua superfície rochosa

iria se vaporizado a tais temperaturas,

formando uma atmosfera de vapor de rocha

que inundaria todo o ar da planície de mares

que corta nossos pulmões

viraria sal.

se você fosse uma pedra, viraria sal

uma montanha de sal no meu peito.

Editora Rébus, março de 2016

Duas-luas-em-um-céu-vermelho_Van-Holanda

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After/Words, Patti Smith

POSFÁCIO

eu fui levada a um anfiteatro miniatura de porcelana branca. os azulejos do chão zumbiam como uma escultura cinética, oscilavam como as cores de Vasarely. as colunas formavam um largo retângulo. no centro havia uma superfície de mármore c/ uma balsa de couro. eles a deitaram sobre a mesa. um cone verde entrou pela claraboia, perfume de rosas pela janela, seu traje estava coberto c/ pétalas. ela era toda mulher da história, cada ventre em risco. eu me olhei no espelho. eu dei à luz a Alexandre, eu fui sua amante. uma máscara de guerra surgiu em meu rosto, cortes ocre e cor de lavanda. a mulher c/ a crina castanha montou sobre ela. suas mãos delicadas trabalhavam em pequenos milagres. tênues tubos de celuloide eram inseridos depressa nos poros da vítima, uma virgem. as cânulas eram tentáculos fundindo-se c/ suas veias, seus sonhos, e mais profundamente, na luz virginal, a piscina abaixo da memória. o fluxo rubi onde nenhuma palavra se forma. a rainha era uma deusa que amarrava em si mesma um mecanismo de amor – um dispositivo projetado para a penetração. um cilindro pontiagudo de joia entrelaçada. eu resisti o quanto pude. eu era o trono que ela montava. eu era a semente do destino, o orgulho do reinado. primeiro a picada, a luz, e depois o beijo. uma torrente de vapor e eletricidade libertava-se. eu não podia resistir, seu rosto sintonizava c/ o meu. o ímpeto e a síbila de um mamífero submergia.

– o que você quer de mim? ela disse

– contorcendo-me, eu chorei – desejo!

– o que você quer de mim? eu perguntei.

– linguagem, ela disse, linguagem.

tr. Thais Medeiros (Rébus 6, 2015)

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Cinepoema

Cinepoema, mostra de filmes de poesia e arte.

Organizado pela Rébus e Gab Marcondes 

Domingo, 20 de Setembro de 2015

n’ O cluster – Casa da Glória, Rio de Janeiro

Filmes:

Abra, Gab Marcondes

O Retorno à razão, Man Ray

Grafitte, Bruno Vianna

Oh Taste and See, Thais Medeiros

Hand catching lead, Richard Serra

Nefelibata, Claudia Herz

Poema diluído, Gab Marcondes

Contramaré, Elisa Pessoa

Palindrome, Zata Banks

Three transitions, Peter Campus

Mata mata , André Vallias

Jogo da dança, Nadam Guerra

Eu vejo o que eu era, Gab Marcondes

Ócio, Marion Naccache

Cinco Poemas, Christian Caselli

Coleurmestible, Priscila Guedes

Filmes-diários, Ícaro Lira

La mujer que voa, Tatiana Dager

*


  
  

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Relato Lastro + Rébus 7

¡Que disfrute! 

http://www.lastroarte.com/acoes/thais-medeiros/rebus-7-thais-medeiros/

Para baixar a publicação Rébus 7 em PDF, clique: http://www.lastroarte.com/acoes/wp-content/uploads/2015/05/publicacao-1.4.pdf

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antes de tijuana, mercedes torres

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antes de tijuana
cuando ella me dijo que había encontrado una ballena muerta en la playa yo me he dado cuenta de que nunca antes había tocado en una ballena, ni mismo por casualidad. así que me imaginé que se fuera yo en la playa me iba a acostar al lado del cadáver, echarme contra su largo cuerpo y encostar mis oídos en el emborrachado de la piel, a ver se escuchaba los murmullos húmedos de algún profeta rebelde. cuando ella me dijo que en el segundo día había encontrado una multitud de calamares muertos en la arena yo me imaginé un sin número de aguavivas transparentes con tentáculos y puntitos colorados peligrosamente centellantes. así que se fuera yo me iba a pegar una de ellas contra mi antebrazo derecho, a ver que visiones flameantes tendría mientras mis párpados se cerraran y los músculos se me contrajeran con las quemaduras. cuando ella me dijo que en el tercer día había encontrado una filera de cabezas humanas ordenadas con espantosa simetría, yo me imaginé que se fuera yo una de las cabezas me iba a sacar afuera la lengua y dejar que por los dos lados de la boca se me saliera una baba rabiosa y blanca, hasta que los quienes me mirasen hubiesen empezado a gritar. cuando ella me dijo que en el cuarto día había encontrado una centena de langostas yo me imaginé que se fuera yo delante del mar me iba a poner una langosta adentro de mi sexo, cantar una canción punk con gestos frenéticos y convertirme en un hombre de verdad.

Rébus 7

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Rébus 7 

A Rébus llega a Tula!

A edição 7 da Rébus, em parceria com os artistas residentes no projeto LASTRO arte, foi impressa na gráfica A Casa del Hijo del Ahuizote, no prédio original do periódico El Hijo del Ahuizote (1885-1903), na Cidade do México.

El Hijo del Ahuizote foi um periódico fantástico, revolucionário e de oposição – e que por isso teve muitos dos seus integrantes presos em diversos atos repressivos – que apresentava-se já no primeiro número como um ‘semanário feroz, aunque de nobles instintos, político y sin subvención como su padre, y como su padre, matrero y calaverón’, e trazia em suas capas caricaturas geniais e satíricas de Daniel Cabrera, que assinava com codinome de El Fígaro. Nesse momento, Diego Flores Magón, também escritor e bisneto dos Ahuizotes, elabora uma exposição sobre a história do periódico e seu acervo, além do restauro do edifício original localizado na Calle Colombia, 42: A Casa del Hijo del Ahuizote. Essa ‘Casa’, tem como proposta ser um espaço ativo de imprensa crítica e liberdade de expressão, o que faz dessa Rébus uma das mais especiais. Notícias sobre a exposição e inauguração da Casa serão anunciadas aqui! Viva!

Sobre o conteúdo da Rébus, que disponibilizamos online em breve,  aproveitem pois caprichamos no portunhol, nas poesias e nas artes!! Para quem estiver interessado na edição impressa, a Rébus #7 estará a venda na banquinha da Rébus no dia 11 de julho, no Rio, na Feira da Praça XV. Também enviamos por correio❤

Rébus #7:

Falo pero no silencio / Leonardo Araujo

Alguien lloraba, no muy lejos / Van Holanda

Scott / Beatriz Lemos

Antes de Tijuana / Mercedes Torres

As férias do esqueleto / Leonora Carrington, tradução Thais Medeiros

+ Artes Leandra Plaza, Maya Dikstein, Lucas Parente, Olivia Ardui.

Agradecimientos:  Zerjio/ RAT, Diego Flores Magón, Leonardo Araujo, LASTRO arte e Prince Claus Fund.

+ s/ Rébus y Lastro http://www.lastroarte.com/acoes/pesquisas/thais-medeiros-mexico/

      

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