La Cordelle, Denise Levertov

La Cordelle, Denise Levertov

Estar aqui:

rodeada

por pedras,
talhadas pedras
ocres, cor de carne,



pedras cinzas
até o mais opaco branco –

pedras colocadas

uma a uma,
um trabalho 
árduo e exato.



Estar aqui:

na presença
das pedras, do silêncio,

de silêncio que guarda a pálida

memória envergonhada,

da cruz

definhada (marcada

pela guerra como arma)

e o pobre
depois, acampado

entre pedras carbonizadas,
tempo de abandono,

do altar em ruínas.



Estar aqui

onde colunas, arcos

cores,
ferrugens,
cercas de palha e rosas
apodrecem
 e lembram



o tempo de
armazenar os grãos, o tempo

das ovelhas hibernarem,

da neve

amontoada na

porta rachada.



Estar aqui, rodeada

por pedras, pelo tempo,

pela luz do sol que entra

como uma abelha pelo

arco do portal.



Aqui, onde por tanto tempo

nenhum altar se ergueu

agora resta o bloco

não talhado,

de pedra desadornada



e no chão

a sua frente, um jarro
cinza de argila guarda
(preso, ele mesmo,

ao cuidadoso

espaço no qual

a paz 
dessas antigas

pedras

nos sustentam)

capins adormecidos,

margaridas vivas,
rosas ardentes,

dálias, dálias

de brilhante

escarlate, dálias

carmesin,

quase pretas,

ambas vermelhas

cor de sangue,



o buquê, inteiro,

canta em suas cores

a vida longa

os dias vazios, as pedras
novamente santificadas.

(tradução Thais Medeiros, publicado na Rébus #2)

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